Luanda

domingo, 12 de julho de 2009

Pitigrili - Angola, África, política mundial, sociedade, automobilismo, ralis, e tudo o mais...

Retirado de: Pitigrili


Saturday, July 11, 2009

O que Dos Santos disse ao Mundo


A crise económica e financeira internacional afectou o crescimento das economias do continente africano devido fundamentalmente a redução dos valores dos activos, sobretudo financeiros, detidos no estrangeiro; a redução das receitas minerais, como resultado da redução dos respectivos preços de exportação; o ressentimento do sector mineiro no seu nível de actividade, investimento, rentabilidade e emprego; a redução dos fluxos financeiros do exterior, tanto na forma de ajuda pública ao desenvolvimento, como na de investimento directo do estrangeiro; a maior dificuldade de acesso a financiamento externos, quer pela redução da liquidez internacional, quer pelo agravamento das condições de financiamento e também a pressão que se verifica sobre as reservas cambiais dos países, face a redução do influxo de divisas, resultando de tudo isto o aumento do desemprego e o aumento da pobreza.
Neste quadro, mais do que encontrar soluções provisórias para se ultrapassarem problemas pontuais, importa rever todo o actual sistema económico e financeiro e pensar nos termos em que o mesmo possa ser reestruturado de modo a que sirva numa perspectiva global os interesses de todos os povos e países.
Começa a ser consensual a ideia de que é preciso aperfeiçoar e reforçar os mecanismos de regulação e supervisão dos Bancos Centrais e estreitar a cooperação entre si e definir os mecanismos de regulação do mercado financeiro internacional, sem pôr em causa as regras essenciais do mercado. Falta agora passar das palavras aos actos.
Estando em curso a discussão sobre a reforma do sistema financeiro internacional e do sistema monetário em especial, é desejável que África também tome parte activa nesse processo que conduzirá a uma nova ordem e a maior democratização do FMI, onde desejamos que o poder de África seja ampliado, ajustando-se à realidade actual.
No quadro concreto dos países menos desenvolvido, em que a maior parte dos países africanos e Angola em particular se enquadram, gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para formular várias solicitações.
Em primeiro lugar, a solicitação de cooperação dos Bancos Centrais dos países do G-8 para operações financeiras que possam reforçar as reservas internacionais dos países africanos, tais como linhas de financiamento em moedas livremente disponíveis (as chamadas "swaps cambiais") e créditos "stand-by", no interesse de se estabelecer o equilíbrio da Balança de Pagamentos e de se gerir uma política cambial mais eficaz, com vista a manter-se a trajectória do crescimento económico.
Esse apelo é especialmente dirigido ao FED dos EUA e ao Banco Central Europeu, assim como aos bancos centrais dos países mais ricos, como a Alemanha, a França e a Grã-Bretanha, tendo em conta o papel que eles exercem nas instituições financeiras internacionais, principalmente no FMI.
Uma outra solicitação seria a de uma maior cooperação e empenho dos EXIMBANKS e dos Bancos de Desenvolvimento ou de Fomento dos países do G-8 para a abertura de linhas de financiamento de importações, que poderiam ser utilizadas por investidores privados dos países do G-8 em investimentos directos nos países menos desenvolvidos.
Ainda no âmbito do financiamento da Balança de Pagamentos, gostaríamos de solicitar também renegociações da dívida externa com o Clube de Paris, que constitui um pesado ónus para muito dos nossos países e que seja garantido o princípio da concessão de uma moratória longa no pagamento do capital e juros dessa dívida.
No caso do meu país, por exemplo, este encargo financeiro faz com que a conta de capitais da Balança de Pagamentos fique num défice estimado em um bilião e quatrocentos milhões de dólares, o que contribui para que o seu défice final chegue a quase 6 mil milhões de dólares.
Tendo em conta o agravamento recente dos efeitos da crise, seria de grande ajuda para Angola se os países do G-8 membros do Clube de Paris pudessem concordar com uma derrogação dos prazos de pagamento do remanescente do pagamento de juros de mora, no valor de USD 600 milhões, previstos para o segundo semestre deste ano, até que fosse superada a fase mais crítica e a recuperação económica pudesse ter lugar.
No capítulo das parcerias público-privadas, faria sentido que o FMI e os representantes das instituições financeiras acima referidas definissem, em discussões separadas, com os órgãos dirigentes das cinco sub-regiões africanas de desenvolvimento, estratégias de apoio ao desenvolvimento baseadas em financiamentos concessionais destinados ao sector público para a reconstrução e construção de infra-estruturas e em financiamentos para o sector privado com vista à criação de capacidades locais de produção de bens e serviços, fomentado deste modo o surgimento de micro, pequenas e médias empresas com viabilidade económica, gerando emprego e riqueza.
Estas estratégias podem contemplar igualmente programas de assistência com vista ao aperfeiçoamento da Administração e gestão das Finanças Públicas e apoio ao esforço dos Estados no combate à corrupção e ao desvio de fundos públicos.
Uma outra área de grande interesse para o meu país é a da energia limpa, havendo o propósito de se desenvolverem projectos de energia solar e eólica em parceria com os países do G-8 que já avançaram nas tecnologias para o seu aproveitamento, e também de produção etanol, a partir da cana-de-açucar e de bio-diesel, a partir de sementes oleaginosas que encontram bom ambiente de cultivo em Angola.
A utilização de várias formas de energia contribui naturalmente para a segurança energética. Contudo, pensamos ser importante que os países produtores e consumidores de energia contribuam para a estabilização do preço do petróleo, por forma a que o mesmo não ponha em causa o desempenho das nossas economias.
Neste contexto, reputamos também como sendo de extrema importância a segurança do Golfo da Guiné, como zona de aprovisionamento de petróleo e gás do mercado internacional.
Por outro lado, há uma ligação estreita entre o desenvolvimento e o ambiente, tendo em conta que o ritmo de degradação dos recursos ambientais coloca graves problemas aos diferentes países para o seu desenvolvimento a longo prazo.
Impõe-se, por essa razão, a necessidade de se melhorar a cooperação e a coordenação a nível internacional, respeitando-se todas as Convenções e Protocolos existentes sobre o meio ambiente, por forma a promovermos a integração das questões ambientais nas restantes políticas atinentes ao desenvolvimento sustentado.
Nesse sentido, os países africanos reunidos em Argel em Novembro de 2008, decidiram adoptar uma posição comum nas negociações sobre alterações climáticas e elaboraram projectos de programa adequados ao quadro das alterações climáticas no continente.
A grande extensão de África proporciona a existência de ecosistemas diversos, como a da bacia do Congo que é a segunda maior floresta do mundo depois da Amazónia, constituindo um dos maiores reservatórios da bio-diversidade e um dos maiores sistemas de armazenamento de carbono no planeta.
A preservação desse ecosistema impõe a necessidade de adopção dum Plano de Convergência, cujo orçamento se estima em um bilião e 500 milhões de dólares para se optimizar a sua gestão integrada e a utilização racional dos seus recursos naturais, em prol do desenvolvimento sustentável.
A segurança alimentar afigura-se como uma das principais preocupações do continente africano, pela sua implicação nos domínios da saúde, da produtividade, da estabilidade social e político e do crescimento económico.
Penso que podemos trabalhar em dois eixos, o primeiro é manter reservas mínimas de alimentos e medicamentos para as ajudas de emergência e humanitárias às populações carentes; o segundo é trabalhar-se no sentido de serem adoptadas estratégias e programas nacionais e regionais integrados nos domínios da agricultura, comércio, transportes, água e formação profissional que possam ser implementados com o apoio e a experiência da FAO, da IFAD e de outras Agências especializadas das Nações Unidas, concedendo-se a ajuda necessária às comunidades rurais que vivem da agricultura de subsistência, potenciando-se os pequenos e médios agricultores e promovendo-se o financiamento dos grandes produtores agro-industriais.
Muitos outros campos exigem a criação da intrincada rede de cooperação e entreajuda e o principal destes é o da promoção da Paz, da Segurança e da Democracia.
É indispensável que os países membros do G-8 continuem a exercer a sua influência junto do Conselho de Segurança da ONU e da União Europeia e que estes continuem a financiar as operações de manutenção da paz em África e apoiar os esforços dos Estados Africanos no combate contra o narcotráfico, o comércio ilegal de armas, a pirataria e o terrorismo. A Paz e a segurança são condições essenciais para o desenvolvimento da Democracia, do Estado de Direito e para a promoção dos Direitos Humanos.
Exprimo a solidariedade do Povo angolano para com as populações de L'Aquila que não obstante todas as vicissitudes por que passou nos acolheu com simpatia e amizade e manifesto a minha total disponibilidade, em nome do Povo e do Governo angolano, de colaborar em todas as acções que ajudem a minimizar todos os problemas para fazermos do nosso planeta um lugar bom para viver.

Pensar e Falar Angola

Mas o pormenor mais surreal…

Artigo retirado do blogue “subreal” de nome Aerograma
e de autor expatriado, além de “abuamado”  com a
versatilidade dos "dicúlos" da “banda” que o acolhe
e recolhe sem complexos nos amplexos dos fraternos kandandos.
 
Posted by Toke
Toke_Seixas_anim
 
 
 
 
 
 
 
Início de citação:
 
 
3 11 2008

Afonso Loureiro

Angola é um país de contrastes a todos os níveis. No meio da miséria vemos sorrisos abertos e crianças a dançar, ouvimos música e risadas. Por entre as valas, onde escorre o que já ninguém aproveita, há quem retire o seu sustento. No meio dos candongueiros ferrugentos surge um carro de vidros fumados e muitos cromados, pago a pronto em dólares. Na anarquia que é o trânsito, os semáforos são obedecidos e as passadeiras, largamente ignoradas, passam a ser respeitadas sempre que alguém estende a mão de fora da janela – crianças a atravessar!

Mas o pormenor mais surreal que encontrei até agora, é um programa de rádio inesperado. Na rádio Luanda Antena Comercial, há sete anos que é emitido um programa de uma hora semanal dedicado, imagine-se, aos Beatles! Um programa com sete anos é uma raridade em qualquer parte do mundo, especialmente com um tema tão específico. O certo é que, mesmo depois de esgotarem o reportório do quarteto várias vezes, agora passam gravações pouco conhecidas, concertos ao vivo e reportagem acerca dos Beatles todos os Sábados, das 18h às 19h.

O indicativo do programa é um excerto do Yellow Submarine e o programa tem o curioso nome de Submarino Angolano.

Esta terra, definitivamente, não pára de me surpreender.

   Fim de citação.

Pensar e Falar Angola

terça-feira, 19 de maio de 2009

Os portugueses vão conquistando o seu espaço em Angola na era da globalização.

Os traumas do passado vão ficando distantes e a interacção das suas economias, e a movimentação de pessoas e bens entre Lisboa e Luanda é cada vez mais real.

Resumindo, as agulhas entre os dois países parecem apontar para o mesmo sentido, que passam pelas vantagens mútuas na relação dos dois povos e países.

A visita de José Eduardo dos Santos a Portugal não foi por acaso, e demonstra isso mesmo, sabendo-se que o presidente angolano raramente faz visitas de Estado, quando não há motivos reais e objectivos que o justifiquem.

Mas também não escrevo isto para dissecar o que se passa entre os dois países, até porque não tenho os dados do que se passa em toda a sua profundidade.

Mas observo como cidadão alguns aspectos mais ligeiros e as reacções da impressa e dos angolanos, a algumas questões.

Por exemplo, na área do desporto.

No basquetebol, a modalidade rainha no país, a federação angolana vai nomear o português Luís Magalhães, treinador da equipa do 1º de Agosto, como seleccionador nacional. Vi na TV Zimbo, o primeiro canal privado de Angola, os adeptos a dizerem que a medida é a mais acertado, e que Magalhães merece estar à frente dos destinos do cinco nacional, pois é reconhecido como um técnico altamente competente.

O Manuel José é o novo treinador da selecção de futebol, e logo quando o Campeonato Africano de Futebol se disputa em Janeiro de 2010 em Angola, e parece todo mundo de acordo que foi a melhor escolha.

No Andebol também foram contratar um português para comandar o destino da selecção.

Estas são as modalidades desportivas mais emblemáticas do país, juntamente com o hóquei em patins.

A marginal de Luanda está a ser requalificada, e estamos a falar do cartão de visita da capital e do país, e foi a Mota-Engil em consórcio com outra construtora portuguesa que ganharam o concurso entre 13 concorrentes para a obra, e lá apareceu sorridente o ex político Jorge Coelhone a dizer que a empresa que preside, não vai defraudar os angolanos e que a obra vai ser feita dentro dos prazos e com a qualidade que se exige. Estamos a falar de qualquer coisa como 123 milhoes de euros.

Estes 4 casos, não são o mais importante nas relações entre os 2 países, pois está muito longe de o ser certamente, mas há aspectos que reflectem alguma coisa.
E uma delas, no meu ver, é que entre angolanos e portugueses as coisas vão rolando, sem a velha conversa e complexos de colonizadores e colonizados.
E ainda bem.

kandandus

quinta-feira, 14 de maio de 2009

sexta-feira, 17 de abril de 2009

sábado, 4 de abril de 2009

4 de Abril


Hoje faz sete anos que esta terra entrou nos caminhos da paz.

As contas dizem-nos que foram 41 anos de tiros (1961/2002)

Durante esse período houve várias guerras com motivações diferentes.

A primeira, foi resultado de em Lisboa haver um atrasado mental que nasceu em Santa Comba Dão, que andou a brincar aos Impérios. Os angolanos bem tentarem falar da autodeterminação e independência para a sua terra, mas bateram sempre com a irredutibilidade e os delírios do atrasado mental, mesmo depois de os indianos lhe terem apagado do Império, Goa, Damão e Dio, ele desconseguiu de aprender a lição.

Então veio 1961.
Os angolanos cansados de pacificamente tentarem abordar a questão da autonomia e independência não tiveram outra alternativa. Pegaram em catanas e 14 anos depois alcançaram o seu objectivo.
De pouco serviu ao atraso mental gritar, para Angola e em força.

Mas a guerra continuou.
Seriam mais 27 anos.

Agora iriam tratar-se de outras guerras e a maioria dos angolanos foi defraudada do sonho de terem finalmente uma terra em paz e próspera, conduzida pelos seus filhos em 1975.

Os três movimentos nacionalistas cada um com a sua agenda, e altamente influenciados por interesses externos que pouco tinha haver com aquilo que era o desejo dos angolanos, mergulham esta terra num inferno de destruição.

Esta pátria virou um imenso campo de batalha entre irmãos e parecia uma auto-estrada de exércitos regulares estrangeiros e grupos de mercenários de todo mundo.
Angola virou refém da política e de interesses externos. Para mim, culpa do atrasado do Salazar, que se tivesse dois dedos de inteligência não andava a brincar aos impérios e tinha feito a descolonização na década de 60, mas isso é outra conversa.

A guerra de 1975 foi o início do caminho para inferno, que teve várias etapas.
A FNLA ficou pelo caminho nesta etapa. Os representantes da guerra-fria ficou-se pelo MPLA a governar, apoiado pelos comunistas e a Unita eram os boys do outro lado, os que se intitulavam o Mundo Livre, Bull Shits.

De um lado gritava-se abaixo os lacaios do imperialismo e do outro abaixo a ditadura comunista. Eram a vozes dos donos do mundo. Não era a voz do povo angolano, que clamava era por pão, trabalho, saúde e escola.

Um dos donos do mundo entrou em colapso e caiu o muro de Berlim.

Aqui falou-se de paz. E até houve eleições.
Mas o pseudo libertador da pátria contra os comunistas, o que faz agora tijolo num cemitério qualquer de uma vila do país, resolveu dizer que tinha havido fraude eleitoral.

Encorajado pelos mesmos de sempre, os ditos países do Mundo Livre, voltou a mergulhar a terra, que ainda sangrava da primeira etapa destrutiva, numa loucura de violência ainda pior que a vivida de 1975 a finais de 1992.

Mais uma vez a este povo lhes foi servido o mesmo de sempre, e voltou a sofrer na carne e na alma os horrores da guerra.
Tempos difíceis. Foram mais longos dez anos.

O que faz tijolo, ameaçava que ia partir a espinha de todo mundo. E muitos espalhados pelo mundo batiam palmas.
Afinal ele é que partiu para o quinto dos infernos. E já foi atrasado.

No dia 4 de Abril de 2002 a razão chegou.

Sete anos de paz.
A guerra agora é ver se os que ganharam as eleições vão acabar com a miséria e o atraso que este país virou.
O benefício da dúvida foi-lhes caucionado com uma vitória eleitoral retumbante o ano passado.

Viva a PAZ. E já agora a democracia.

kandandus